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Glúten é visto como o novo Vilão da Dieta


Joyce Carla

O inimigo da balança, agora, é o glúten. Algumas celebridades alegam que perderam peso evitando os alimentos que contém o nutriente. Muitas pessoas que começaram a dieta disseram que estão com mais disposição para enfrentar a rotina e que o abdômen ficou menos inchado. Por outro lado, os médicos dizem que apenas a doença celíaca exige que o glúten seja retirado do cardápio alimentar. Segundo eles, não há nenhuma pesquisa científica que relacione o glúten ao aumento de peso ou que indique que essa proteína seja ruim para o nosso organismo.

Entenda melhor o Glúten

O glúten é uma proteína que se encontra na semente de diversos cereais combinada com o amido. Esta proteína é encontrada no trigo, aveia, centeio, cevada e todos os seus derivados. Consequentemente, está presente na maioria dos pães, biscoitos, macarrão, tortas, bolos, cerveja, uisque, caldos prontos e uma série de outros alimentos industrializados. Se você diminuir o consumo desses alimentos, sem dúvida irá emagrecer. Mas não precisa necessariamente culpar o glúten.

A doença celíaca é uma intolerância ao glúten e ocorre em pessoas com tendência genética à doença. Geralmente aparece na infância, nas crianças com idade de um a três anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive nas pessoas adultas. Os sintomas mais comuns são diarreia por mais de 30 dias, prisão de ventre, anemia, falta de apetite, vômitos, emagrecimento ou ganho de peso, atraso no crescimento, humor alterado, barriga inchada e até mesmo osteoporose. O único tratamento é uma alimentação sem glúten por toda a vida.

Glúten A Dieta sem Glúten

De acordo com alguns nutricionistas, ao cortar o glúten, você troca alimentos gordurosos e industrializados por opções mais saudáveis. Daí vem a perda de peso. Se você quiser evitar um pouco ou diminuir o consumo de alimentos com glúten, é bom saber quais eles são. Aqui, no Brasil, as indústrias de alimentos são obrigadas a informar no rótulo se há ou não glúten na fórmula. Por isso, observe o pacote com cuidado e procure por letrinhas bem pequenas. Outros exemplos de alimentos com glúten são:

  • Farinhas: de trigo comum, de cevada, de rosca, de bolo, de aveia, integral, rica em proteína, de semolina, de gérmen de trico e branqueada por fermentação;
  • Cereais: de trigo, de cevada, de aveia, de trigo alemão, de centeio, de triguilho, além de extrato de cereal, farelo e liga de cereal;
  • Massas: talharim com ovos ou soba, de semolina ou semilina de centeio entre outras;
  • Amido: modigicado, de alimento, gelatinizado ou vegetal;
  • Extrato de malte, sabor de malte, vinagre de malte e malte de arroz;
  • Trigo: farelo, gérmen, glúten, aveia, amido, massa, bagas, trigo em casa ou duro. Enfim, qualquer tipo de trigo;

Já os alimentos, parecidos com os listados acima, mas que não contêm glúten são: arroz (de todos os tipos, milho, soja, semente de girassol, fubá, farinha de milho, de arroz, de batata, de mandioca, amido de batata e soja, quinoa e semente de linhaça. É bom saber também que quase todos os alimentos sem glúten também não possuem conservantes. Então mantenha-os refrigerados ou congelados ou ainda prefira consumir imediatamente após a compra.

Receita de bolo de Cenoura sem Glúten

Glúten Ingredientes
• 3 xícaras (chá) de farinha de quinua
• 3 cenouras grandes
• 4 ovos
• 2 xícaras (chá) de adoçante culinário
• 1 xícaras (chá) de óleo de girassol
• 1 colher (sobremesa) de fermento em pó

Modo de preparo
Bata, aos poucos, todos os ingredientes no liquidificador até ficar homogêneo. Coloque a mistura em uma forma pequena com furo no meio e untada. Asse em forno preaquecido a 180°C por 30 minutos. Desenforme morno.

Obsessão por alimentos saudáveis

Glúten O consumo de alimentos orgânicos, de baixa caloria e alimentos específicos para diabéticos e alérgicos a lactose e glúten cresceu mais de 80%, se comparado ao inicio do século. A projeção para o consumo saudável é de que até 2014 o mercado cresça ainda mais 39%. Mas a intolerância as gorduras trans e a obsessão pela ingestão de produtos sem corantes, conservantes e agrotóxicos pode deixar de ser saudável e causar transtornos à saúde alimentar.

Por mais estranho que possa parecer, existe um distúrbio alimentar chamado ortorexia, que surge quando a pessoa se torna viciada em comidas saudáveis. De acordo com a nutróloga Liliane Oppermann, essa nova doença ainda não reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. “Ela afeta os novos consumidores porque os obriga a ler e analisar rótulos compulsivamente e torna obsessivo o consumo de alimentos sem influência química, tornando a dieta pobre em nutrientes básicos para o funcionamento do organismo”, explica.

Para tornar possível a alimentação 100% saudável, as pessoas com ortorexia deixam de comer alimentos enlatados, feitos com a utilização de açúcares e aqueles que têm a procedência desconhecida. Com essa restrição alimentar, os ortoréxicos diminuem significativamente a quantidade de vitaminas necessárias para uma dieta balanceada. “O extremismo leva à deficiência de ferro, zinco, vitamina B12 e cálcio no corpo. Em consequência desse radicalismo podem surgir doenças como a anemia. Além disso, pode aumentar o risco de doenças imunológicas e de hipertensão, por exemplo”, afirma Liliane.

Glúten Os indivíduos que sofrem com o transtorno ainda podem desenvolver problemas psicológicos como a depressão, irritabilidade e insônia e apresentar sinais de afastamento da sociedade. “Os ortoréxicos raramente comem comidas preparadas por terceiros, o que afeta diretamente a vida social e torna o convívio com familiares e amigos quase impossível , alerta a nutróloga”. Os hábitos alimentares rígidos são responsáveis pelo surgimento de outros transtornos alimentares como a bulimia e a anorexia, doenças que afetam gravemente a população brasileira.

A nutróloga Liliane afirma que, para tratar essa doença, é indispensável o acompanhamento psicológico e, claro, a modificação da dieta através dos esforços nutricionais. “O trabalho da nutrição só é eficaz com o tratamento a partir da psicologia comportamental, pois permite que os pacientes se abram para a nova reeducação alimentar e auxiliem no trabalho da nutrologia quanto a desmistificação sobre os produtos industriais presentes no mercado”, conclui.

 

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